A Resex Lago do Capanã Grande, localizada em Manicoré (AM), realizou uma Gincana Ecológica no evento de soltura de quelônios, realizada na comunidade São Raimundo, no interior da unidade de conservação, celebrando o final da temporada reprodutiva dos animais na UC. A gincana contou com atividades para todos os públicos, adultos, jovens e crianças.
No evento foram abordados conhecimentos sobre a biologia, ecologia e conservação dos quelônios de forma lúdica e acessível, por meio de histórias, brincadeiras e dinâmicas, tudo com muita educação ambiental.

O evento culminou com a soltura dos mais de 300 filhotes de tracajás (Podocnemis unifilis) de ninhos manejados e monitorados da comunidade São Raimundo no âmbito do Projeto de Manejo Comunitário de Quelônios, às margens do lago do Capanã Grande. A soltura dos filhotes também ocorreu nas outras comunidades da Resex Lago Grande do Capanã em eventos menores, totalizando 685 filhotes de tracajás soltos no lago.
Durante a gincana, no grupo dos jovens, foram realizadas brincadeiras como cabo de guerra, corrida de obstáculos e caça tesouro, ao fim de cada atividade,informações e ensinamentos sobre os quelônios eram passados aos participantes. Para o grupo das crianças foram preparadas dinâmicas, histórias e brincadeiras também com conteúdo sobre os quelônios e a importância da conservação.
O grupo dos adultos realizou uma dinâmica sobre a função ecológica da fauna e flora, e continuou com momentos de conversa e discussão que foram importantes para todos tomarem consciência do projeto e de como podem ajudar na conservação dos quelônios.
Ao final das atividades de grupo foi servido um almoço e em seguida os grupos de jovens, adultos e crianças se juntaram para o jogo “torta na cara” com perguntas sobre os quelônios e as informações passadas nos grupos, e os vencedores ganharam alguns prêmios.
Segundo Ezio Leliz da Conceição, Presidente da Comunidade São Raimundo, “a equipe do ICMBio tem incentivado muito os jovens monitores da Resex do Lago Capanã Grande. A organização comunitária foi muito boa porque foi compartilhada, em conjunto com a equipe do ICMBio.Esperamos que a próxima comunidade a receber esse evento se empenhe como a comunidade de São Raimundo e dê esse mesmo respaldo de envolvimento, de respeito e consideração.”
Os monitores voluntários ainda tiveram espaço para expressar como se sentiam em participar do projeto de conservação dos quelônios, procurando inspirar outros jovens a se tornarem monitores e mostrando a importância desse trabalho para toda a Resex, além dos aprendizados e experiências adquiridasdurante a participação no projeto.
Thiago de Magalhães da Conceição, monitor do Projeto Quelônios, avalia que “o evento é de suma importância porque as famílias da comunidade tiveram a oportunidade de levar seus filhos para participar de momentos de diversão, como brincadeiras, palestras e momentos educacionais sobre o meio ambiente,relacionadas com o monitoramento de filhotes e solturas de tracajás. É uma oportunidade para os jovens que trabalham na coleta de ovos e seus cuidados,e quem sabe um dia serão as futuras autoridades junto com o ICMBio.”

O Manejo Comunitário de Quelônios na Resex Lago do Capanã Grande começou em 2020, por iniciativa das comunidades locais e desde 2022 conta com apoio da WCS (Wildlife Conservation Society). O projeto surgiu em resposta à diminuição da população de tracajás no lago, observada pelos próprios comunitários da Resex.
Inicialmente apenas a comunidade de Jutaí aderiu ao projeto, que hoje conta com a adesão de outras duas comunidades no interior da UC, São Raimundo e Santa Cívita, e de uma comunidade do entorno, São José do Cumã, localizada no Projeto de Assentamento Agroextrativista Matupiri. A expectativa é que o projeto se expanda para outras comunidades na próxima temporada reprodutiva.
As atividades do projeto se iniciam em meados de agosto de cada ano, no período da desova dos tracajás, com a participação de monitores voluntários das comunidades para a sua execução. Na Resex do Lago do CapanãGrande, 13 monitores voluntários participaram do projeto na última temporada. Antes do início das atividades,eles receberam capacitação para realizar os registros, o monitoramento dos ninhos, a coleta e a transferência dos ovos para chocadeiras artificiais, onde ficam até a eclosão, e cuidados com os filhotes até a soltura.