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Povos indígenas têm retomada histórica com novo ministério

A criação do Ministério dos Povos Indígenas do Brasil sinaliza uma nova etapa na política institucional do país.

Sônia Guajajara, lideranças e povos indígenas fizeram história na última quarta-feira (11) com a posse do novo Ministério dos Povos Indígenas do Brasil. Segundo o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a conquista coletiva é inédita e marca séculos de luta, organização e resistência dos povos indígenas brasileiros.

“Ter Sônia Guajajara no primeiro escalão do Governo Lula ressalta a importância que os povos originários merecidamente terão neste governo. Sônia é uma líder nata e guerreira, o movimento indígena não poderia ter melhor representante para fortalecer e levar adiante suas pautas”, avalia Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM.

A criação do Ministério dos Povos Indígenas do Brasil sinaliza uma nova etapa na política institucional do país. Com o mote “aldear a política” nas Eleições de 2022, candidaturas indígenas ressaltaram a importância da presença de representantes dos povos originários em espaços de tomada de decisão e de formulação de políticas públicas. “Nada sobre nós sem nós” é outra mensagem de movimentos e lideranças indígenas que destaca o momento de ruptura com a invisibilização secular desses povos.

O protagonismo às lideranças indígenas é fundamental para que possamos caminhar em direção à reparação, à equidade, a um desenvolvimento econômico que inclua e respeite a sociobiodiversidade com repartição justa de benefícios. Enfim, rumo a um futuro com justiça social e climática, tendo garantidas a proteção das riquezas naturais, a mitigação e adaptação aos efeitos da emergência no clima do planeta.

As terras indígenas são as áreas mais conservadas do Brasil. Só 1,6% da perda de florestas e vegetação nativa entre 1985 e 2020 ocorreu nesses territórios. Ao mesmo tempo, são lugares ameaçados: de 2019 a 2021, seis das dez terras indígenas com maior aumento no desmatamento na Amazônia têm povos isolados, de acordo com estudo publicado nesta quarta pelo IPAM e pela COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). O bioma tem a maior concentração de territórios com povos indígenas isolados do mundo: 44, doze deles estão sob risco alto ou muito alto.

Com tecnologias e saberes ancestrais, os povos indígenas têm muito a nos ensinar, e nós, a aprender. Que aprendamos, então, com elas e eles, nas aldeias, nas cidades, nas escolas, nas universidades, nos espaços de poder, a como viver.

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