Desde 1997, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) promove o Programa de Bolsas para Indígenas, que inclui formações locais e em Genebra, na Suíça.
A edição 2025 é uma oportunidade para os participantes aprofundarem seus conhecimentos sobre o sistema da ONU e os mecanismos de proteção e promoção dos direitos humanos, com foco especial nos relativos às populações indígenas.
A primeira parte da formação acontece em Brasília e tem duração de duas semanas com o foco nos instrumentos do sistema da ONU.
A segunda parte do curso ocorre em Genebra, quando o grupo brasileiro se juntará às pessoas indígenas de outras regiões do mundo, para quatro semanas de atividades. Ao final do encontro, todas as pessoas participam da sessão anual do Mecanismo de Peritos sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Vivências dos Indígenas no Programa de Bolsas de 2024
Marina Mayuruna Wadick e Ewésh Yawalapiti Waurá integram a Organização Geral dos Mayuruna (OGM) da Terra Indígena Vale do Javari e a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), respectivamente. Ambos fizeram parte do grupo brasileiro de selecionados para o Programa de Bolsas em 2024.
“O que me motivou a participar foi a vontade de conhecer mais os mecanismos dos direitos humanos, e poder ter acesso a eles, para poder ajudar as populações indígenas da minha região”, conta Marina Wadick, da Comunidade Indígena do Cruzeirinho, em Atalaia do Norte, Amazonas.
Ewésh Waurá, que vive no território do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, acredita que o Programa ajudou a entender melhor como o sistema ONU pode apoiar os direitos indígenas.
“O primeiro passo no Brasil, foi bem legal ter essa noção de que forma a ONU está instalada e funciona no país. Já em Genebra, foi muito interessante conhecer esse sistema sobre direitos humanos. Nós precisamos compreender melhor para nos apropriarmos desse sistema, para que as organizações indígenas tenham maior incidência nele”, afirmou ele.
As pessoas candidatas devem ser indígenas e ter relação estreita com suas comunidades. De volta aos seus territórios, ambos planejam atividades para compartilhar o conhecimento e utilizar os aprendizados em favor das comunidades. Segundo Marina Wadick, os benefícios do programa já são presentes para a sua comunidade, pois “a minha participação abriu oportunidades em outras instâncias, para falar sobre o território e as violações de direitos que sofremos aqui”.
Ewésh Waurá concorda e reforça a importância do programa, “é necessário ampliar essa formação, divulgar mais para que os indígenas participem e utilizem essas ferramentas na defesa de seus direitos”. As inscrições encerraram no dia 15 de setembro.