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‘Nem tudo o que reluz é ouro’. A história sombria dos rios ‘dourados’ da Amazônia

Por Maria Campos / Zap

Uma nova fotografia tirada da Estação Espacial Internacional (EEI) mostra o que parecem ser rios “dourados” a correr pela floresta da Amazônia. No entanto, como diz a famosa expressão, “nem tudo o que reluz é ouro”.

De acordo com o Observatório Terrestre da NASA, que publicou a fotografia tirada por um dos seus astronautas, os rios “dourados” que correm pela floresta amazônica no Estado de Madre de Dios, no Leste do Peru, são, na verdade, poços de prospeção, provavelmente deixados por mineiros independentes.

Segundo a CNN, os poços estão normalmente escondidos da vista dos astronautas na Estação Espacial Internacional (EEI), mas destacam-se nesta fotografia devido à luz solar refletida.

A imagem mostra o rio Inambari e vários poços cercados por áreas desflorestadas de entulho lamacento. A mineração independente de ouro sustenta dezenas de milhares de pessoas na região de Madre de Dios, tornando-a uma das maiores indústrias de mineração não registadas do mundo.

A mineração também é o maior fator de desflorestação na região e o mercúrio usado para extrair ouro polui os cursos de água.

A única ligação rodoviária entre o Brasil e o Peru tinha como objetivo impulsionar o comércio e o turismo, mas “a desflorestação pode ser o maior resultado da rodovia”, segundo a NASA.

A fotografia divulgada publicamente no início deste mês, foi tirada em 24 de dezembro. Madre de Dios é um pedaço intocado da Amazônia, onde araras e macacos, jaguares e borboletas prosperam.

No entanto,enquanto algumas partes de Madre de Dios, como a Reserva Nacional Tambopata, estão protegidas da mineração, centenas de quilômetros quadrados de floresta tropical na área foram transformados num deserto tóxico e sem árvores.

Os aumentos no preço do ouro nos últimos anos criaram cidades em expansão na selva, completas com bordéis emergentes e tiroteios, à medida que dezenas de milhares de pessoas de todo o Peru aderiram à moderna corrida ao ouro.

Em janeiro de 2019, um estudo científico revelou que a desflorestação da mineração de ouro destruiu cerca de 9.279 hectares da Amazônia peruana em 2018, de acordo com o grupo Monitorização do Projeto Andino da Amazônia (MAAP). Esse é o maior total anual registado desde 1985, com base em estudos conduzidos pelo Centro de Inovação Científica da Amazônia da Universidade Wake Forest.

A desflorestação em 2018 superou o recorde anterior de 2017, quando cerca de 9.160 hectares de floresta foram derrubados, de acordo com o MAAP. Isso significa que, em dois anos, a mineração de ouro dizimou o equivalente a mais de 34 mil campos de futebol americano da floresta amazônica peruana.

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