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Instituto Mamirauá celebra 20 anos de pesquisas e projetos de conservação

Aumento populacional do pirarucu e diminuição do índice de mortalidade infantil são algumas das conquistas

A comemoração dos 20 anos do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá vai muito além da data de ‘aniversário’: pesquisadores celebram os resultados dos projetos desenvolvidos ao longo das duas décadas de trabalho na região do Médio Solimões (AM).

Criado em 1999 com o objetivo de desenvolver pesquisas para manejo de recursos naturais e desenvolvimento social, as áreas de atuação do Instituto contam com investimentos na ciência, tecnologia e inovação para adoção de estratégias e políticas públicas de uso sustentável da biodiversidade.

“Nós trabalhamos com a produção de conhecimento científico e de novas tecnologias de manejo para a conservação e melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas”, conta João Valsecchi, pesquisador e diretor geral do Instituto.

A equipe conta com 278 colaboradores, entre pesquisadores, biólogos, técnicos administrativos e extensionistas que já desenvolveram mais de 90 projetos de pesquisa. Entre as conquistas, o especialista destaca a elaboração de legislações e regulamentações voltadas ao manejo dos recursos naturais. “Um exemplo é o manejo do pirarucu na Amazônia. Os 12 projetos elaborados incluem moradores de 43 comunidades, três colônias e uma associação de pescadores”, diz.

Outras espécies, como os jacarés, são ‘alvos’ dos pesquisadores, que lutam pela recuperação populacional do animal. “Existe uma grande demanda, por parte das populações locais, para utilizar e manejar a espécie. As pesquisas realizadas já permitiram a adequação da legislação vigente e, nos próximos anos, começaremos a trabalhar no manejo”, comenta o pesquisador.

Foco na comunidade

Durante os anos de trabalho notou-se que a conservação da biodiversidade está ligada ao desenvolvimento das comunidades locais, por isso a preocupação com a qualidade de vida dos moradores.

Entre os projetos, ações de incentivo ao turismo são frequentes na região. “A nossa proposta é que a gestão do turismo seja realizada pelas comunidades locais. Nós temos um modelo de gestão compartilhada, no qual ainda assumimos algumas funções, mas estamos trabalhando para a transferência total às comunidades”, explica João, que prevê um grande passo na jornada pela integração dos ribeirinhos.

“Se tudo der certo, nos próximos anos nós devamos ter, talvez, a primeira iniciativa de turismo gerida por uma associação comunitária composta por várias comunidades e várias lideranças”, completa.

Além disso, o diretor destaca as assessorias dadas aos moradores locais, para melhor utilização dos recursos naturais.

“Pescadores e manejadores de recursos florestais madeireiros são assessoradas pelos nossos programas. Uma série de tecnologias para o manejo de ecossistemas é difundida”, detalha João, que destaca outros benefícios além da renda mensal.

“Essas pessoas estão começando a ter acesso a diversos serviços e recursos que não tinham anteriormente. Também desenvolvemos diversas ações na área da saúde”, diz. Ao longo dos 20 anos, a mortalidade infantil da região diminuiu 67%. “No início da atuação do Mamirauá, registramos um índice de mortalidade infantil similar a países pobres da África. Hoje a gente está na média brasileira”, celebra.

Os números destacam ainda os quase 400 estudantes formados pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e as mais de 50 comunidades ribeirinhas beneficiadas com saneamento e tratamento de água.

“As Reservas de Desenvolvimento Mamirauá e Amanã, no Amazonas, registraram queda na mortalidade infantil de 88 por mil em 1993 para 35 por mil em 2005, uma redução maior que a registrada pelos valores médios do estado (de 50% para 25%) no mesmo período”, revela o especialista.

Reflexos positivos

As conquistas ambientais e sociais na região do Médio Solimões passaram a fazer parte da história de outras partes da Amazônia. “Hoje temos projetos desde a fronteira Brasil-Colômbia, com pesquisas, até a costa paraense, onde assessoramos alguns manejos”, explica João, que destaca o crescimento das frentes de ação após a parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

“A nossa missão é muito clara: nós trabalhamos com geração de conhecimento para gerar impacto sobre a conservação da Amazônia. Os resultados são muito relevantes para a conservação da biodiversidade, para a economia regional, e até mesmo para a economia do Brasil”, diz.

Satisfeito com os resultados, o pesquisador alerta sobre a importância de aumentar a área de atuação. “Se a gente for pensar em alguma mudança, seria escala. Essas tecnologias têm que ser levadas para outras regiões e beneficiar as populações locais”, completa.

Fonte: G1 (Campinas e Região)

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