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Humanidade trava guerra suicida com o meio ambiente, diz secretário da ONU

“A humanidade está travando uma guerra contra a natureza. Isso é sem sentido e suicida. As consequências de nossa imprudência já são aparentes no sofrimento humano, perdas econômicas altíssimas e na erosão acelerada da vida na Terra”, afirmou Antônio Guterres, secretário-geral da ONU. O alerta severo acompanha o relatório da organização que aponta três grandes emergências mundiais: crise climática, a devastação da vida selvagem e da natureza e a poluição, que vem causando milhões de mortes todos os anos.

“Este relatório fornece a base para a esperança. Deixa claro que nossa guerra contra a natureza deixou o planeta destruído. Mas também nos guia para um lugar mais seguro, fornecendo um plano de paz e um programa de reconstrução do pós-guerra”, garante o secretário.

O relatório afirma que a humanidade conseguiu fazer a economia crescer 5 vezes em 50 anos, mas que, para isso, se valeu da extração de combustíveis fósseis e outros recursos que geraram um custo enorme para o meio ambiente. Segundo o documento, a população global dobrou desde 1970 e conseguiu dobrar também os seus lucros, mas isso não eliminou os problemas sociais. Pelo contrário: 1,3 bilhão de pessoas continuam na pobreza e 700 milhões passam fome.

Por isso, o professor Sir Robert Watson, que liderou as avaliações científicas da ONU sobre clima e biodiversidade e é um dos autores principais do relatório, acredita que é preciso substituir o PIB como medida econômica por uma que mostre o real valor da natureza e tribute as emissões de carbono.

“De todas as coisas que temos que fazer, temos que realmente repensar nossos sistemas econômico e financeiro. Fundamentalmente, o PIB não leva a natureza em consideração. Precisamos nos livrar desses subsídios perversos, eles custam de US$ 5 trilhões a US$ 7 trilhões por ano. Talvez pudéssemos mover parte desse capital para a tecnologia de baixo carbono e investir na natureza, o dinheiro está aí”, afirma e reforça:

“Há muitas pessoas que realmente gostam desses subsídios perversos. Eles amam o status quo. Portanto, os governos têm que ter coragem de agir ”.

O mundo caminha para um aquecimento de 3° C acima dos níveis pré-industriais, temos um milhão de espécies ameaçadas de extinção e 90% das pessoas vivendo em cidades com ar muito poluído. A poluição, inclusive, foi incluída no relatório porque, apesar das melhorias feitas por alguns países ricos, o ar, a água e os solos causam pelo menos 9 milhões de mortes por ano. “As empresas proativas veem que, se podem ser sustentáveis, podem ser pioneiras e ter lucro. Mas, em alguns casos, a regulamentação quase certamente será necessária para as empresas que não se importam”, disse Watson.

Em 2021, ainda haverá muito debate sobre as medidas que devem ser executadas mundialmente. Os países se reunirão em duas cúpulas cruciais da ONU sobre as crises do clima e da biodiversidade . “Sabemos que falhamos miseravelmente nas metas de biodiversidade [estabelecidas em 2010]. Ficarei muito desapontado se nessas cúpulas só forem discutidos metas e objetivos. É preciso falar sobre ações – isso é realmente o que é crucial”, declara o professor.

Foto: Mark Garten/ONU, via Agência Brasil

Fonte: Época Negócios

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